Pesquisadores da UFMG propõe parâmetros de frutosamina para a população brasileira

Marcadores tradicionais usados no diagnóstico e monitoramento de diabetes incluem glicose plasmática em jejum (FPG), glicose plasmática após duas horas, (2-hPG) medida durante o teste oral de tolerância à glicose (OGTT) e os níveis de hemoglobina glicada (HbA1c).

O teste de frutosamina é usado para o monitoramento do diabetes mellitus, em especial nos casos com restrições ao uso da hemoglobina glicada, principalmente na determinação do tempo de vida de hemácias alteradas e interferência por hemoglobinas variantes. O teste também pode fornecer informações adicionais no controle glicêmico de curto prazo.

Cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em Belo Horizonte coletaram amostras de sangue de 2.288 pessoas aptas para o teste de frutosamina, em um estudo abrangente. A equipe descartou do estudo indivíduos com um histórico prévia de diabetes (n = 161), com FPG ≥ 5.6 mmol/L (100 mg/dL) e/ou 2-hPG ≥ 7.8 mmol/L (140 mg/dL) e/ou HbA1c ≥ 38.8 mmol/mol, (5.7%). Eles também excluíram pessoas com microalbuminúria ≥ 20 μg/min e creatinina> 114.9 µmol/L (1.3 mg/dL).

As amostras foram coletadas após um período de jejum de 12h. A OGTTT foi feita em todos os participantes deste estudo. As amostras foram armazendas a -80º C. Os níveis de frutosamina foram determinados pelo método colorimétrico nitroblue tetrazolium em um analisador automatizado Beckmann Coulter AU 5800. Os cientistas propuseram que o intervalo de referência da frutosamina deve ser de 186 a 248 μmol/L para mulheres e de 196 to 269 μmol/L para homens. Os níveis de frutosamina foram maiores em homens que em mulheres e na população não branca e tiveram uma correlação negativa com o índice de massa corporal.

Os autores do estudo concluíram que o seu trabalho significa um primeiro esforço para estabelecer um parâmetro de referência para os níveis de frutosamina na população brasileira. O estudo, que utilizou os dados da ELSA-Brasil como fonte, pode contribuir em trabalhos futuros de diagnóstico e monitoramento de diabetes mellitus, especialmente em situações onde a HbA1c e a OGTT não podem ser usadas. O estudo foi publicado em janeiro de 2019 no periódico Practical Laboratory Medicine.

(Artigo publicado no site www.labmedica.com em 14/01/2019 – link)

Análise de HbA1c em diabéticos que esperam pelo transplante de fígado

O teste de hemoglobina glicada (HbA1c) mede a quantidade de glicose (açúcar no sangue) ligado à hemoglobina. Um teste de HbA1c mostra qual foi a quantidade média de glicose ligada à hemoglobina durante os últimos três meses. É uma média de três meses pois essa é a vida média de uma hemácia.

A diabetes é a causa principal de doenças do fígado, sendo que a cirrose é a responsável por um número de mortes considerável entre diabéticos. A relação entre HbA1c e glicose em pessoas que tem doenças do fígado e ao mesmo tempo aguardam um transplante, e em aqueles com diabetes mas sem problemas no fígado foram pesquisadas.

Cientistas em colaboração com a Universidade de Birmingham (Birmingham, Reino Unido) pesquisaram a HbA1c e glicose no plasma de 125 diabéticos sem problemas no fígado e 29 diabéticos com cirrose aguardando transplante. A mediana (alcance interquartil) do Modelo para Doenças do Fígado em Estágio Final foi calculada como 12 (9-17, sendo que o normal é menos que 6). Em aqueles com cirrose, isto foi provocado por doenças de gordura no fígado não alcoólica, hepatite C, doença alcoólica do fígado, hemocromatose hereditária, fígado/rins policísticos, hipertensão criptogência/não-cirrótica e doença relacionada à α-1-antitripsina.

A equipe descobriu que a mediana da concentração de HbA1c foi de 41 (32-56) mmol/mol [5.9 (5.1-7.3)]%, contra 61 (52-70) mmol/mol [7.7 (6.9-8.6)%], respectivamente, no grupo de diabéticos com cirrose, contra o grupo de diabéticos sem cirrose e que a concentração de glicose foi de 8.4 (7.0-11.2) mmol/L contra 7.3 (5.2-11.5) mmol/L. A concentração de HbA1c foi reduzida em 20 mmol/mol (1.8%) nos 28 participantes com cirroses, mas elevada em 28 mmol/mol (2.6%) nos participantes com distúrbios na α-1-antitripsina.

Aqueles com cirrose e concentrações menores de HbA1c tiveram menos eritrócitos grandes e maior comprimento de hemácias e contagem de reticulócitos. Isso foi refletido na associação positiva de glicose com volume corpuscular médio e uma associação negativa da concentração de HbA1c no grupo com diabetes. Os autores concluem que a HbA1c não é um teste apropriado pra medir a glicose sanguínea em pessoas com cirrose e diabetes esperando transplante pois reflete a apresentação de eritrócitos alterados. O estudo foi publicado em 26 de Novembro de 2018 no jornal Diabetic Medicine.