Níveis de HbA1c podem ajudar a prever diabetes relacionada à fibrose cística

Diabetes relacionado à fibrose cística (CFRD) tem algumas características semelhantes às diabetes do tipo 1 e 2. Em algumas pessoas com fibrose cística (CF), o muco denso e viscoso que é característica da doença deixa cicatrizes no pâncreas.

Pessoas com CFRD podem não apresentar nenhum sintoma. Alguns sintomas do diabetes são similares a outros sintomas da CF que eles já apresentam. Assim, muitas pessoas com CFRD não sabem que têm a doença até o momento em que fazem um exame de diabetes.

Médicos especialistas no Hospital Universitário de Llandough (Llandough, Reino Unido), conduziram um estudo longitudinal retrospectivo a sete anos em 50 adultos (42% mulheres, idade média de 26 anos) co CF, comparando os resultados do teste oral de tolerância à glicose (OGTT) com os valores de HbA1c previstos no desenvolvimento da CFRD. Dados do mapeamento de retina também foram comparados com as medições de HbA1c para avaliar os resultados microvasculares. Os participantes foram acompanhados entre 2006 e 2012, com a medição da glicose no plasma e níveis de glicose duas horas após as refeições por OGTT e níveis de HbA1c medidos por cromatografia líquida de alta performance.

O time criou uma curva característica de operação do recebedor (ROC) para medir a associação entre HbA1c e OGTT e o desenvolvimento de diabetes. A HbA1c tem uma área abaixo da curva ROC de 0,76 em 2006 e um AUC maior foi usado como uma linha base variável em comparação com a glicose no sangue em jejum (FPG), o que sugere que o nível de HbA1c é diretamente associado com o desenvolvimento de CFRD, usando o OGTT como o teste de diagnóstico confirmatório. Além disso, resultados anormais de OGTT eram mais prováveis para participantes com níveis de HbA1c de 37 mmol/mol ou mais que naqueles com níveis menores durantes os sete anos (taxa de risco = 3,49). Os investigadores também encontraram que 19 dos 43 participantes com CFRD desenvolveram retinopatias diabéticas entre 2010 e 2012 e que os níveis de HbA1c eram maiores para estes participantes (média de HbA1c = 68 mmol/mol) que aqueles sem retinopatias diabéticas (média de HbA1c = 54 mmol/mol).

Os autores concluíram que suas descobertas sugerem que a HbA1c também pode ser usada para avaliar indivíduos em risco de desenvolver diabetes relacionada à fibrose cística, junto com o exame OGTT, devido ao foto de que mais participantes que tinham níveis médios de HbA1c de 37 mmol/mol ou mais desenvolveram disglicemia que aqueles com níveis menores durante o acompanhamento. O estudo foi publicado em 30 de Janeiro de 2019 no jornal Diabetic Medicine.