Altos níveis de HbA1c nem sempre levam ao diabetes

Prédiabetes é uma condição assintomática que precede o diabetes de tipo 2. Ele é caracterizado pela hiperglicemia, que é definida como o nível de glicose no sangue maior do que o normal mas menor que o nível para o diagnóstico clínico da diabetes.

Os valores da hemoglobina glicada (HbA1c) aumentam com a idade entre sujeitos sem diabetes, e baixos índices de glicose podem aumentar a mortalidade na velhice. Algumas dúvidas permanecem em quais fatores estão relacionados com a reversão da prédiabetes para a glicemia normal, independente da mortalidade entre a população mais idosa.

Cientistas no Instituto Karolinska, em Estocolmo (Suécia), acompanharam 2.575 homens e mulheres com mais de 60 anos e sem diabetes por até 12 anos. No início do estudo, 918 pessoas, ou 36% do grupo, tinham níveis de açúcar no sangue acima do normal mas ainda abaixo do limite para o diagnóstico de diabetes.

A HbA1c foi coletada em intervalos regulares e até dezembro de 2010. O exame era feito com cromatografia líquida de alta performance com filamento Swedish Mono S, e 1,1% era adicionado aos valores encontrados em cada paciente para torná-los iguais aos padrões internacionais de acordo com o NGSP (National Glycohemoglobin Standardization Program). Desde janeiro de 2011, os exames foram feitos com o método de referência da Federação de Química Clínica (IFCC). Uma equação padrão (NGSP=[0.9148*IFCC] + 2.152 (disponível em: National Institutes of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases, Bethesda, MD, USA, www.ngsp.org/ifccngsp.asp) foi usada para converter HbA1c medida pelo método IFCC (em mmol mol-1) para um valor NGSP (em %), para tornar os resultados de HbA1c de todos os métodos comparáveis.

Os cientistas notaram que apenas 119 pessoas, 13% daquelas que começaram o estudo com elevado nível de açúcar no sangue, desenvolveram o diabetes. Outras 204, ou 22%, tiveram seus níveis de açúcar no sangue diminuídos a ponto de não mais serem consideradas prediabéticas. Adultos obesos com prediabetes foram mais propensos a progredir para um diabetes pleno. Ying Shang, MMSc, do Centro de Estudos do Envelhecimento do Instituto Karolinska e primeiro autor do estudo, disse que “progredir para o diabetes não é o único caminho. Na verdade, as chances de permanecer prédiabético ou mesmo de reverter (a condições normais de açúcar no sangue) é atualmente relativamente alta (64%), sem o uso de medicamentos. Mudanças no estilo de vida como o controle do peso ou da pressão sanguínea podem ajudar a impedir o prédiabetes de evoluir”. O estudo foi publicado em 4 de junho de 2019 no Journal of Internal Medicine.

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